segunda-feira, setembro 29, 2014

Belstaff


A Belstaff é uma das mais antigas e reconhecidas marcas de equipamento para motociclistas. A sua qualidade, o conteúdo tecnológico que está na sua génese e o seu preço acima da média, proporcionaram-lhe uma clientela de notáveis que catapultou a marca que, nos dias de hoje, é conhecida e desejada por todo o mundo dito rico e civilizado.

A marca foi criada em 1924, em Victoria Place, perto de Staffordshire, por Eli Belovitch e o seu genro, Harry Grosberg, um empresário que teve a visão de criar roupa à prova de água tanto para homens como para senhoras. O seu logótipo representa uma fénix (alterada algumas vezes ao longo dos tempos), sinónimo de reinvenção e adoção de novas ideias para vencer novos desafios.

A Belstaff ficou para a história por ser o primeiro fabricante de equipamento específico para a prática do motociclismo, a utilizar um tecido completamente à prova de água, mas ao mesmo tempo suficientemente poroso para ser respirável. Era fabricado num delicado algodão egípcio, que era posteriormente embebido em óleos naturais.


De tal forma a fórmula correspondia às expectativas que passou a ser vulgarmente denominado por "Wax Cotton". Era utilizada no fabrico de calças e casacos para motociclistas. No seu tempo, em que ainda praticamente não existia alcatrão e que as estradas eram de "macadame", agravadas pelas condições meteorológicas da Grã Bretanha, estas suas características eram imbatíveis, apesar do baixo índice tecnológico visto pelos padrões atuais.


1930 foi testemunha de um novo salto da marca a caminho do sucesso: a criação de novos têxteis que, além de serem à prova de água, também eram à prova de vento e resistentes à fricção. Foi então que a empresa começou a explorar novos mercados, como o exército, a aviação, o hipismo e outras atividades exteriores, mas sem nunca abandonar o mercado motociclístico. Para além dos casacos e das calças, começou a desenvolver botas, luvas e malas, desenhados para garantirem uma grande proteção física sem negligenciarem o estilo.


Um dos maiores sucessos da marca é o blusão “Trailmaster” que, apesar de alguns melhoramentos, ainda se mantém em produção, tendo sido imortalizado por personagens como Ernesto “Che” Guevara na sua aventura motociclistica na América Latina, ou pelos pilotos Phill Read e Sammy Miller, todos fiéis embaixadores deste modelo. Em 1943 surgiu o "Black Prince Motorcycle Jacket", aquele que é reconhecido como um ícone da moda. Nos primeiros quarenta anos de produção, excedeu o milhão e meio de unidades vendidas.

Blusão Trailmaster Belstaff

A produção com materiais naturais foi sempre uma das preocupações da marca, mas obviamente que a utilização de materiais sintéticos é obrigatória nos tempos modernos e por isso, a partir dos anos 70, têxteis como o “Belflex” estiveram na origem de modelos que também se tornaram famosos, como foi o caso do blusão XL500, o primeiro disponível noutras cores que não o preto, e que foi um caso sério de popularidade no meio motociclístico por ser resistente, confortável, durável e muito parecido com o "Trailmaster". Ainda hoje a sua réplica, completamente à prova de água, é uma das peças com mais sucesso comercial da marca, vendida aos milhares para todo o mundo.

Em 1994 a marca leva um novo empurrão devido à criação de um novo material têxtil denominado “Belfresh”. Extremamente absorvente mas permitindo a respiração, o suor era facilmente expelido, o que o tornava o “Belfresh” apropriado para os climas mais quentes. No ano seguinte, surge o “Beltech”, um verdadeiro sistema de proteção à prova de àgua e respirável. Em 1999 aparece o “Ironguard” um material que incorporava partículas metálicas e que oferecia uma elevada resistência à abrasão, que foi introduzido no mercado precisamente pela Belstaff. Este material esteve na origem da linha “Stratos Series”, confecionada com uma mistura de têxteis de diferentes características de forma a proteger o motociclista em climas mais quentes.


O virar do milénio introduziu no mercado o “Reacta Concept” um sistema de proteção capaz de estabilizar a temperatura do corpo, sob quaisquer condições de uso. Depois disso surgiu a gama “Delta Force” fabricada de tecidos com propriedades elásticas e balísticas.

Um dos materiais atualmente utilizados é o "Soft Corkshell", que incorpora as propriedades naturais da cortiça, garantindo isolamento térmico e respiração, combinada com as características das fibras sintéticas. Consiste num têxtil de três camadas, com a película de cortiça protegida por uma camada exterior altamente resistente à abrasão, elástica, à prova de água e vento, e de um forro altamente absorvente que permite uma rápida e eficaz evaporação da transpiração. O resultado é um “tecido” macio, leve e que oferece propriedades anti-bacteorológicas naturais.


Ewan McGregor é uma das imagens da marca, e na foto acima apresenta o blusão Trailmaster para uma campanha publicitária recente. Mas já durante a sua série televisiva "The Long Way Down", tanto ele como o seu companheiro Charley Boorman usaram fatos da Belstaff. Mas muitas outras estrelas do cinema simpatizaram com a marca e continuam a usá-la tanto na sua vida privada como em público.


Mais recentemente, foi David Beckham que na sua aventura "Into The Unknown", fez-se fotografar por várias vezes envergando um dos modelos da marca.












Fontes:
http://www.mag-mobil.de/2011/motorradwelten/motorcycle-gear-barbour.html
http://www.mag-mobil.de/2011/motorradwelten/motorcycle-gear-belstaff.html

http://www.bel-store.co.uk/Belstaff-History.aspx
http://www.bel-store.co.uk

sexta-feira, setembro 26, 2014

Hill climb - Um filme dos anos 30


Sem mais, deixo-vos com esta pérola:


O motim de Hollister 1947




O motim de Hollister foi um acontecimento que mudou o curso da história do motociclismo na América, e de certa forma também, em todo o mundo "motorizado". Ocorreu no feriado de 4 de Julho do ano de 1947, que coincidia com uma sexta-feira e que proporcionava um fim-de-semana alargado. Parecia apenas um ameno fim-de-semana de verão, mas a ele se ficou a dever o termo “biker”, a sigla de 1% e um filme protagonizado por Marlon Brando...

Nesse tempo, por toda a América, organizavam-se os chamados “Gypsy Tours”, fomentados pela A.M.A. – American Motorcycles Association, apoiados pelos fabricantes de motos e protagonizados pelos clubes de motociclistas. O formato era simples: de todo o país partiam grupos de motos para uma determinada cidade onde iria decorrer o evento. No caminho, e durante a estadia, os participantes acampavam em tendas e cozinhavam em fogueiras, tal como os ciganos.

No caso concreto deste evento, organizado pelos Salinas Ramblers, o destino era a Califórnia, mais concretamente a pacata cidade de Hollister. Tudo começou enquanto as corridas de "dirt track" tinham lugar na pista de Bolado, às portas da cidade, para onde também estava agendada uma prova de “Hillclimbing”.

Uma considerável parte dos participantes eram veteranos da II Grande Guerra que encontravam nas suas motos e nos seus grupos uma razão de ser compensatória dos traumas de guerra e da indiferença com que, depois de terem servido a nação, foram recebidos pelos seus conterrâneos.

Estavam organizados em bem conhecidos grupos como os “Top Hatters” e os "POBOB - Pissed off bastards of Bloomington" (cujo membro Otto Frieddli viria mais tarde a ser o fundador dos Hells Angels Motorcycle Club), ou ainda aqueles que foram os principais protagonistas de Hollister: os "Boozefighters", um grupo fundado em 1946, constituído sobretudo por veteranos da II GG que já tinham “chapters” em Los Angeles, San Pedro e San Francisco, liderados por William “Wino Willie” Forkener que tinha sido expulso do 13 Rebels Motorcycle Club devido ao seu elevado consumo de álcool. De qualquer forma, o grupo era bastante unido, e mantém-se ativo até aos dias de hoje.

Acontece que depois de muita bebida, muita condução inconsciente e corridas de arranque na principal rua da cidade, os ânimos foram aquecendo, até que alguns dos primeiros desacatos tiveram lugar no “Johnny’s”, um bar que ainda é um marco na cidade e cujo lema atual é: “onde tudo começou”. Alguns motociclistas desataram a entrar nesse, e noutros bares, montados nas suas motos.
Não há muitos pormenores do que realmente aconteceu depois disso em Hollister e relatos de testemunhas garantem que basicamente não se terá passado nada de verdadeiramente grave para além de enorme quantidade de lixo e garrafas vazias que ficaram pelas ruas e jardins da cidade. Há relatos de acidentes, mas nenhum terá sido grave e a polícia, que teve que pedir reforços provavelmente mais por precaução ou medo do que por necessidade, terá prendido alguns dos participantes mais entusiasmados. Mas as acusações não passaram de embriaguez e desacatos e nenhum motociclista chegou a ser julgado. O que ficou para a história, no entanto, foi o empolgamento da situação, despoletado pelos media, cujas parangonas mencionavam a destruição de uma cidade causada pelos motociclistas, durante um fim-de-semana prolongado.



Terá sido um tal Barney Peterson, fotógrafo, que alegadamente terá “montado” uma foto controversa (parece que o rapaz sentado na moto (foto acima) completamente embriagado, nem sequer era motociclista, e que a moto terá sido empurrada para o local onde estava um monte de garrafas vazias...) que foi publicada semanas mais tarde na conceituada Revista Life, com o seguinte comentário: “Cyclist’s Holiday: He and his friends terrorize a town.”(Feriado motociclista: Ele e seus amigos aterrorizaram a cidade)...



O sensacionalismo mediático transformou o incidente de Hollister numa verdadeira ameaça e num espectáculo assustador e degradante de força bruta e álcool, que se transformaram num estereótipo do motociclismo.

A A.M.A. terá então emitido um comunicado, assegurando que 99% dos motociclistas eram cumpridores da lei, e que não seria 1% de motociclistas “fora da lei” que ia manchar a imagem de uma crescente geração de motociclistas bem intencionados. Terá sido esta afirmação que está na origem do “1%” exibido atualmente nos emblemas dos coletes dos chamados “Oultlaw Clubs”.

Em 1951, a Revista Harper’s publicou uma história denominada “Raid Ciclista” de um escritor de nome Frank Rooney, que se terá inspirado nos eventos de Hollister em 1947. A sua história ter-se-à posteriormente convertido no filme “The Wild One” e ficou para a memória de todos a imagem de Marlon Brando, aos comandos de uma moto que provavelmente por mero acaso não era americana, com o seu boné e blusão negro e um ar ameaçador.


Abernathy Kids



Louis Van "Bud" Abernathy (17 Dezembro1899 – 6 Março 1979) 
Temple Reeves "Temp" Abernathy (25 Março 1904 – 10 Dezembro 1986)

Nascidos em Frederick, Oklahoma, filhos de um "US Marshal" (John Abernathy) que teimava que os rapazes tinham que ser verdadeiros homens, estes dois irmãos ficaram para a história como viajantes precoces.

A sua primeira viagem foi a cavalo, em 1903: uma ida e volta desde a sua terra natal,  até Santa Fé, no Novo Mexico, num percurso de quase 2.000 km. Então Louis tinha nove anos e Temple tinha apenas cinco.



No ano seguinte fizeram a travessia dos Estados Unidos, desde a Califórnia até Nova Iorque. Foram inclusivamente recebidos em Nova Iorque pelo presidente Roosevelt. Para o regresso não pensaram duas vezes: despacharam os cavalos por comboio e compraram um carro, que eles próprios conduziram até casa.

Depois de em 1911 terem perdido o desafio de atravessar a América de costa a costa em menos de 60 dias, fizeram uma viagem desde Oklahoma até Nova Iorque mas desta vez aos comandos de uma moto Indian, como se vê na foto. Valentes Motards!

Podem ver o site deles aqui: http://budandme.com

quinta-feira, setembro 25, 2014

Soubirac



Nascida em 1886, a SoubiraC atravessou todo um século no meio de apaixonados pelas motos. Os seus produtos representam assim os autênticos valores do motociclismo, precisamente porque ser motociclista não é apenas de uma paixão, mas sim de um estado de espírito.

No presente, a fama granjeada ao  longo de mais de 100 anos obriga a SoubiraC a uma preocupação redobrada para garantir uma elevada qualidade de materiais e acabamentos, bem como um elevado nível de desenvolvimento técnico na produção dos seus produtos para moto: Casacos, calças e calçado.

Mas o que torna os seus produtos verdadeiramente únicos é o recurso a materiais escolhidos e trabalhados com respeito pela tradição, como é por exemplo o caso do cabedal à prova de água utilizado, que é extremamente maleável graças precisamente a uma técnica de produção específica.

No entanto, para garantir um desempenho perfeito, os seus produtos recorrem à utilização de materiais técnicos modernos, como é o caso do Sympatex, uma membrana 100% impermeável, estanque ao vento, mas ao mesmo tempo transpirável e muito resistente à abrasão, e que ainda é completamente reciclável e respeitadora do ambiente desde a sua confeção.

Também as proteções de impacto utilizadas nos ombros, nos cotovelos e nas costas são concebidas e aprovadas pelo instituto francês regulador dos têxteis e das confeções, sendo fabricadas pela Cerprotec® em espumas intercaladas por uma estrutura plástica alveolar que as torna extremamente confortáveis, garantindo uma elevada facilidade de movimento a par com uma excelente proteção em caso de queda.



No caso concreto do blusão Karl, trata-se de um clássico de estilo retro fabricado em cabedal impermeabilizado, que apresenta ombros e cotovelos acolchoados, um forro térmico de toque sedoso e está preparado para receber proteções.


 Site SoubiraC