domingo, dezembro 02, 2012

BMW G650GS Sertão




Já tinha conduzido a versão normal da BMW G650GS. Uma moto que só quem a tem, é que lhe pode dar o devido valor. Simples, leve, económica, fiável e capaz de nos levar onde o nosso capricho se lembrar, desde que o caminho seja bom. De tal forma que a BMW, depois de ter descontinuado o seu fabrico, voltou atrás na decisão e retomou novamente a sua produção. Mas esta nova versão Sertão, produzida no Brasil, está muito mais refinada e dada à brincadeira! O maior curso das suas suspensões, a registar uns muito competentes 210mm, e o quadro reforçado, oferecem um comportamento mais desportivo e maiores aptidões em termos de fora de estrada.


O assento está (no mínimo) a 860mm do chão, mas o seu desenho estreito torna-a acessível a uma alargada faixa de utilizadores. As jantes raiadas e a roda de 21” na frente, desculpam qualquer exagero e proporcionam uma maior descontração em andamentos mais rápidos nos pisos mais degradados. Também vem equipada com uma proteção de cárter em alumínio para salvaguardar qualquer azar e ainda oferece proteções de punhos e um ecrã elevado, uma mais valia para os troços de estrada quando pretendemos andar mais rápido e quando as condições meteorológicas sejam menos favoráveis. Por falar nisso, a Sertão também disponibiliza ABS, que pode ser desligado caso se pretenda. A sua utilização no ambiente urbano brinda-nos com uma enorme facilidade de fugir ao trânsito, permitindo inventar caminho por onde, com outras motos, nem nos atrevemos a pensar mas que com a Sertão nem nos atrevemos a contar.

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O motor permanece inalterado, debita perto de 50cv e surpreende pelo consumo regrado que, como tive oportunidade de constatar, se mantém muito abaixo dos 4 litros aos 100km (em estrada, se lhe exigirmos andamentos acima dos 140km por hora, obviamente que os consumos aumentam). Claro que, por se tratar de um “mono”, o regime de rotação do motor tem de ser mantido sempre um pouco mais rápido, preferencialmente acima das 3.500rpm, mas o som emitido pelo escape, nesta versão colocado por debaixo do assento, também compensa.


Há uns tempos tive a oportunidade de fazer um passeio com uma destas Sertão. A Touratech Portugal tinha desafiado os seus clientes e amigos para um “Adventure Day,” um passeio fora de estrada “light” ali para os lados do Alqueva.

Nem hesitei! O tempo não estava certo, provavelmente ia haver “molho”, e a "pequena" G650GS Sertão estava equipada com os pneus de série, mistos, enquanto que os companheiros que também se dirigiam para o evento, com as suas “Giga Trails”, na sua maior parte estavam equipados com pneus cardados.

Pouco dado a sujar o equipamento com lama, lá os segui, preocupado com as previsões meteorológicas. No dia da partida, logo de manhã, não chovia, mas o piso não era propriamente firme. No entanto a Sertão lá ia evoluindo, no meio das KTM990, das GS e GSA 1200, que levantavam barro e pedras, satisfeitas como galinhas a procurar minhocas. Rapidamente a minha preocupação desapareceu. Mesmo quando uns borifos enviados pelo S. Pedro começaram a caír, as capacidades desta pequena GS estavam bastante para lá do que o que este desafio propunha. Afinal, o percurso era feito na sua grande parte por estradões, e fora de estrada só ia mesmo quem se desviasse da rota.


O que mais me encantou na Sertão foi, sem sombra de dúvida, a sua agilidade. Evoluía no terreno sem me dar qualquer trabalho, enfrentava os trilhos mais duros sem ser necessário levantar-me do assento (até porque não tinha regulado nenhum dos comandos e conduzir em pé resultava numa posição muito estranha) e mesmo nos pequenos riachos e lamaçais que tínhamos que atravessar, nunca senti qualquer limitação. Imagino que, com pneus cardados, esta moto pode ir bastante mais longe. E sendo muito mais leve e manobrável, também garante um nível de fadiga muito baixo. Uma boa opção para quem gostar de apreciar de perto a natureza!

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